É meu.


Aqui escrevo o que não posso, digo o que não digo a muita gente. Aqui digo o que penso e hei-de aborrecer muita gente com isso...

A verdade é que o meu blog é um reflexo de mim porque eu não escrevo de acordo com os comentários que me escrevem ou falo sobre coisas que sei que os leitores vão gostar mais. Quando o criei foi para libertar os meus poemas dos cadernos que eu achava que os sufucavam. Fi-lo e senti-me mais leve. Passado algum tempo, apercebi-me que talvez isso também podesse funcionar comigo - e funcionou.

O meu blog é onde respiro quando fico sem ar ou alguém a quem dizer o que nunca tenho a quem dizer. Assim, tenho necessidade de dizer que é meu. É o Meu blog. Haja alguma coisa que eu tenha a certeza que tenho, que tenha a certeza que criei, que tenho a certeza a que tenho direito... E também este facto é reconfortante. E hoje foi este facto reconfortante que me levou a escrever aqui.

Escrevo porque é reconfortante saber que o posso fazer. Escrevo nele porque é meu e faço com ele o que quiser. Não é um jogo de bilhar, em que tenho mil pessoas a dizer em que bola acertar; não é a "minha" casa que não sei muito bem qual é; não é o secundário que nunca foi meu; não é a minha adolescência que nunca foi realmente minha; não é a amiga que eu tento ter e de repente já não é minha outra vez; não é a dança, que é tudo menos minha; não é o meu namorado que cada vez é menos meu e eu não sei bem como é que isso está a acontecer, e que nunca vai ser uma segurança, pelo simples facto de ser «namorado» - não há nada, ou muito pouco, que o prenda a mim, que o vincule, que o faça pensar «Não posso acabar com esta relação».

Este blog é um conforto. É a amiga que não tenho, a amiga a quem conto quase todos os meus segredos, problemas e opiniões. Este blog é meu. E é meu. E é meu. Fui eu que o criei, eu fiz isto. E eu, de certa forma e até certo ponto, orgulho-me disso. Por mais ridículo que seja.

Hoje precisei de me lembrar que alguma coisa me pertence e eu consigo controla-la e lembrei-me do Meu blog.

Hoje precisei de chorar as lágrimas que não eram minhas e tomei a dor da pessoa que mais podia estar afastada de mim. E hoje percebo-a melhor que ninguém.


Cisne.

Comentários

LA disse…
Com este texto fizeste-me lembrar um episodio que aconteceu ha um ano atras: o blogue que eu tinha não era em regime de anonimato, ou seja, tinha uma foto minha de apresentação e o meu nome para que se pudesse identificar e, aliado a isso, eu divulgava-o perante os meus amigos. Mas, nunca referi nomes que não fossem devidamente autorizados. No entanto, houve alguém que decidiu enfiar a carapuça e chatear-me a cabeça com um e-mail ofencivo que, enfim, mais do que isto foi triste e deprimente. Momentos tristes das pessoas que não sabem respeitar o que é nosso. Assim foi cuscar no c*ralho. Além de que nunca ninguém o mandou visitar o que era meu e, se o fazia, era pelo simples prazer de andar a cuscar a minha vida xD
E pronto, lembrei-me deste triste episódio subitamente xD
Cisne disse…
Pois, todos temos desses episódios menos felizes...
A Flor disse…
Há sempre qualquer coisa que é nossa, nem que sejamos nós próprios. Beijinho e boa sorte.
bécas disse…
Curioso, devo confessar que também criei o meu «cantinho» para libertar, de certa forma, os meus poemas (:
vejo que além disto, também partilhas o meu gosto pela dança, pelo ballet! vou seguir-te também Cisne!
Cisne disse…
Flor: Exacto, a nossa personalidade também é muito importante :)

Bécas: Já lá vão duas coisas em comum. Fiquei contente em descobrir o teu blog ;)


Cisne.

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