As confusões

Uma das piores partes de ser adolescentes é a confusão. É frequente termos dúvidas e nunca sabemos com certeza se estamos a fazer bem ou mal. Eu sei que quem ainda não passou por esta fase ou já passou também se confunde. Nem que seja uma criança indecisa com o brinquedo que vai escolher para brincar primeiro ou um adulto com um desafio qualquer. Mas, de facto, nós adolescentes sofremos o triplo.

Acho que uma das maiores confusões que me assolam (e das mais longas também) é não saber se quero crescer ou não.

Bom, eu sei que não podemos alterar o curso da vida (acelerá-lo ou abrandá-lo) mas podemos pensar nele, certo? E eu quando me meto a pensar no curso da minha, umas vezes digo que quero ter 16 para sempre e outras digo que estou doida para sair desta fase tão estúpida.

Eu tenho tenho Síndrome de Peter Pan :P Não quero crescer. E agora que estou a quase a uma semana de largar os meus sweet sixteen, não quero, sinto que o tempo está a passar depressa demais e que não tarda nada tenho de ser Adulta. Eu sei que «ser adulto» não é algo que se note da noite para o dia mas, mesmo assim, estou a caminhar depressa demais para lá.

Por outro lado, tenho mau feitio. lol, eu explico: Detesto os meus colegas de turma, detesto os meus prof., detesto passar a maior parte da minha vida numa escola em que não tenho amigos ou com quem passar um intervalo, detesto estar sozinha a maior do tempo. E entrar na faculdade (o que, se tudo correr bem, será daqui a um ano mais coisa menos coisa) é a minha ideia de: novas pessoas, novos ambientes, novas realidades, novos desafios, novas escolhas e, quem sabe, amigos. A minha fé e a minha esperança está, infelizmente na faculdade. Não estou a contar com aquela imagem que toda a gente gosta de fazer «ah e tal grandes festas» «ah e tal grandes convívios».  Estou à espera de encontrar alguém com que me identifique. Alguém que me diga quando estou a falar demais para que não a chateie ou aborreça, alguém que, apesar disso, goste de me ouvir, que goste da minha sinceridade (que, a sério, estou a fazer um esforço para não ser bruta!, estou só mesmo a ser frontal).

Eu posso parecer injusta porque não estou inteiramente sozinha. Tenho os amigos fantásticos da minha irmã. São pessoas com quem me identifico imenso, que prezo muito e a quem quero bastante, mas...têm um pequeno defeito. São, como disse, da minha irmã. Gostava de saber que consegui cativar uma pessoa (do sexo feminino) sem ser por obrigá-la à minha presença, a conhecer-me de verdade.

Eu espero, muito sinceramente, encontrar alguém na faculdade. Caso contrário...serei sempre a miúda feliz que fui até agora, mas sempre incompleta.

Ah, e tudo para dizer que esta é outra das minhas confusões. A outra esperança que tenho é que ter uma amiga deixe de ser tão importante na faculdade. E, afinal, ter um namorado amigo também ajuda ;)


Cisne.

Comentários

Smooth Operator disse…
Dois apontamentos:

1- "Tenho os amigos fantásticos da minha irmã (...) mas...têm um pequeno defeito. São, como disse, da minha irmã".

Considera também uma hipótese que, através do original círculo de amizade da tua irmã, tu e o teu nobre companheiro tenham atraído amizades para o vosso eixo gravitacional. Isto é: se calhar são tens amigos também e, não apenas, amigos da tua irmã, seja quem for ;)

2- Quem pode dizer "estes são os melhores anos da minha vida"? Esta é uma análise que apenas em retrospectiva podemos fazer, arrependendo ou defendendo as nossas decisões. Mas uma coisa é certa, se não arriscarmos, se não vivermos, como poderemos analisar os resultados?

Lembras-te daquele anúncio da Sociedade Ponto Verde (dos meninos e a reciclagem) onde um dos miúdos dizia "estou mais maduro!"? Ora bem Cisne, estimada Cisne, tu também o estás (ou já o és há algum tempo). Estas "confusões" todas são normais, mas não te tornes num Fernando Pessoa que nunca quis crescer e que se deixou consumir pelos seus medos e ansiedades, acabando por morrer cedo, sem aproveitar o que verdadeiramente temos: a vida.

Right? Deixo-te com uma sugestão: Carpe Diem :)
Cisne disse…
Caro Smooth Operator: para já para já, não posso deixar de adorar este nome: genial ;)

Agora, sim, talvez possa considerar os amigos da minha irmã meus também, mas não de início e não seriam SÓ meus. Pode parecer egoísmo (talvez seja mesmo), mas queria poder contar com uma amiga sempre. Pode não fazer falta a muita gente mas a mim não há coisa de que sinta mais falta: de alguém que esteja lá incondicionalmente. E, claro que, também estaria eu por essa pessoa.

Em relação ao teu ponto 2, não te podia dar mais razão. Dares o exemplo de Fernando Pessoa foi tiro certeiro. Agora que estou a estudar, percebo-o melhor e identifico-me a ele com pesar. Tens toda a razão e tenho de parar de pensar desta forma - só me traz mais para baixo.

Obrigada :)
Olá! =)
Bem,começo por dizer que já sigo o teu blogue a algum tempo e simplesmente adoro-o.
Adoro ler os teus posts e muitas das vezes sinto o mesmo que tu.
Apesar de ter alguns amigos,sempre vi a Universidade como meta a alcançar para fazer novos amizades e ter novos ares.Sempre fui muito introvertida o que sempre me condicionou às amizades,por isso sim,sinto o mesmo em relação à Universidade.
Quanto ao feitio,podes crer haha =P às vezes nem me consigo aturar a minha própria,mas como disseste,faz parte da adolescência =)
Resumindo,adorei o post e espero que continues porque adoro mesmo ler o teu blogue ^.^

SU
Cisne disse…
SU: Muito obrigada, é bom saber que alguém compreende o que escreve e que, ainda por cima, gosta de o ler.


Cisne.

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