As palavras que talvez te direi#2



"(...)Every time we meet, it's like the first we kiss
Never growing tired of this endlessness
It's a simple thing, we don't need a ring
Our love is easy(...)"

Gosto que não brinques com ciúmes e controlo. Que, aliás, nem te ocorra fazê-lo por ser tão irreal, tão descabido. Gosto que nem te ocorra fingires que tens ciúmes.

Gosto da maneira como lidas com os meus amigos desvairados da cabeça, sei que é um esforço inserires-te num grupo tão diferente de ti mas fá-lo parecer tão prático e fácil... E eles adoram-te, principalmente quando o que dizes não faz sentido nenhum :)

Acho que vamos ter problemas sérios daqui a uns meses. Talvez apenas um mês. Porque já vamos gostar imenso um do outro mas também vamos discutir. Porquê? Porque já vamos exigir um pouco mais um do outro. Porque é assim, porque é assim que funciona. Eu vou dizer-te para não falares assim com a tua mãe, para teres paciência, para não estudares só de véspera, para estudares comigo, para me contares aquilo em que estás a pensar... E eu já percebi que não és muito acessível nestas coisas. O mesmo comigo. Sei que vais deixar de "deixar passar" quando não quiser contar-te qualquer coisa, como o facto de estar a ir a consultas de psicologia. Quer dizer... Como é que te vou explicar que não sou perfeita como dizes que sou? Como é que eu te digo que sou muito feliz mas que tenho muitas responsabilidades, muita pressão e não estou a conseguir ter força para tudo, inclusive despedir-me de ti todas as semanas? Como é que eu te digo que costumava ser uma pessoa cheia de força e que aguentava tudo e que agora o meu corpo me está a mandar parar?

Gosto do teu sorriso, gosto que o uses de forma tonta só para me fazer rir quando estou em baixo. Gosto que tenhas o equilíbrio perfeito entre ser um insensível e um mariquinhas com nomes melosos. Gosto da maneira como lidas comigo. Por mais stressada que eu esteja ou acelerada ou aparavalhada tens sempre imensa paciência. Tentas traduzir com calma o meu português speedado e abrandar-me o passo com uma piada ou um abraço, dependendo do contexto.

Gosto muito que percebas a relação que tenho com o meu melhor amigo. A cumplicidade que partilhamos não te assusta nada, como assustou tantos outros, não te sentes ameaçado. Dizes que só me queres ver feliz.

Gosto do momento em que te vejo depois de passada uma semana. Gosto que me agarres como se nunca mais me fosses largar, como se na última hora não pensasses em mais nada que naquele momento. Não gosto de sentir que estás diferente quando te vejo. Às vezes é só a barba que cresceu, ou a roupa que é nova, ou os óculos postos... Mas faz-me sentir que perdi alguma coisa durante aquela semana e não gosto dessa sensação, a sensação estúpida de que perdi um bocadinho de ti, porque te quero completo. Mas gosto de te ver cada vez mais apaixonado, semana após semana. Gosto que sejas reservado nas mensagens e me digas tudo o que sentes quando estamos juntos. Não gosto quando me dizes que sou perfeita. Faz-me sentir inadequada, ou pressionada para atingir um certo padrão ou expectativa que nem sequer almejo. Sou como sou...e não sou, de todo, perfeita.

Não acho muita piada quando me apresentas aos teus amigos como «esta é a Laura». Fico um bocado «ya, olá Amigo-do-namorado, eu sou a gaja que te está a deixar confuso por não saberes se eu sou a namorada ou só a gaja que ele anda a comer... prazer!!». Mas achei mais piada quando disseste «é a minha miúda». Apesar de achar mega foleiro até foi relativamente querido dado o contexto e o sorriso que me fizeste ao longe, pensando que eu não tinha ouvido (ouvir, ouvir não ouvi mas li nos lábios :):) )

Gosto quando ficas a olhar para mim só para me ver, para me perceber. Olhas para aos meus olhos como se me olhasses a alma, não sei como fazes isso mas sinto-me completamente indefesa. Pensando bem, não gosto quando fazes isso, sinto-me frágil.

Sou muito diferente de ti e portanto não gosto quando fazemos alguma coisa que te lembra as tuas ex-namoradas. Não acontece frequentemente mas quando acontece sinto-me insegura. Odeio isso, odeio sentir-me insegura como se admitisse que eles têm algo a mais que eu...

Não gosto que sejas tão giro. Traz-me insegurança, como se tivesse um tesouro que tivesse de esconder e em vez disso passo uma semana sem ti, tu rodeado de mulheres bonitas a babar para um homem trajado... Mas gosto que de todas elas me tenhas escolhido a mim. Gosto de ser igual a todas as mulheres e que tenha sido eu quem escolheste, a que achaste «mais gira da barraquinha da SAL», como disseste.

Lembro-me do que pensei da primeira vez que te vi depois da SAL. Estavas longe e eu caminhava até ti, atrasada. Não estava nervosa mas tinha medo. De ser uma desilusão, de seres uma desilusão. Lembro-me de pensar «é mais baixo que o que eu me lembrava, damn, não devia ter trazido saltos foi demais...». Lembro-me de me arrepender de ter convidado para beber café. Já 3 homens me haviam ensinado que dar o primeiro passo me ia magoar. Mas ali estava eu. A dar um primeiro passo mais uma vez. Lembro-me de pensar «o que estás a fazer? Ele ainda não te viu, volta para trás agora e dás uma desculpa depois. Rápido». Sei hoje que fiz tudo errado no início da nossa relação. Que te dei os sinais todos errados. E ainda hoje não sei como estamos aqui mas estou muito feliz por estarmos. Estou muito feliz por não teres desistido de mim, por me teres convidado para aquele concerto, para aquele bar irish, para um gin tónico e descobrirmos que era a bebida preferida de ambos. Estou muito feliz por ter entrado na tua vida.

Gostei e gosto de te conhecer. De saber que adoras morangos mas que odeias coisas com morango, recheios, coberturas, bolachas, essas coisas... De saber que não gostas de bebidas doces, de provar cerveja preta, de que nao gostas do traje das mulheres mas o dos homens tem estilo, que política para mim é como para ti, que chocolate negro é o teu preferido, que bebes o café sem açúcar como eu, que preferes pimenta a canela... Enfim... Gosto de te conhecer. És uma pessoa interessante.

Não. Não sei do futuro. Não sei como será quando eu for de Erasmus. Não. Nem sequer sei se estaremos juntos em Fevereiro. Mas não. Já não me consigo imaginar sem ti. É aí que estou. Já estou na fase em que se fores embora vais fazer mossa. Que seja o que tiver que ser. Que sejamos os dois felizes. Juntos ou separados. Mas já agora que seja juntos :)


Cisne

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