O traje


Ele fica bem de traje e eu já odeio vê-lo nele. Sempre que ele traja vai embora, já associo o traje à despedida, a coisas "más" que ele gosta, "más" porque o mantêm longe de mim. Os amigos da tuna gozam com quem tem namorada, a pressão para se ser solteiro e "curtir a vida" é tradição. O que significa que à mínima cena de ciúmes em relação a ensaios ou festivais ou trabalho é um "vês, eu avisei-te, namorada só dá problemas, com uma guitarra na mão engatas qualquer uma, para quê os problemas?" da parte dos amigos. E quem me dera estar a exagerar mas vi isto a acontecer à minha frente com outro casal.

Não sou do tipo ciumento, nunca fui. Mas sim, às vezes confunde-me que ele me queira na vida dele mas me exclua completamente desta parte. Não quero ser egoísta mas a verdade é que custa, custa não poder dizer nada ou fazer sequer uma brincadeira tipo "não me ligas nenhuma, é só tuna". Da primeira vez que experimentei essa brincadeira, recebi o olhar de pânico mais assustador de sempre... Enfim, a tradição é essa mesmo, é de que é super secreto e o caraças e ele leva aquilo tudo muito a sério e como está na direção está sempre com trabalho... Enfim, quem sou eu para julgar? É só difícil passar uma semana sem o ver, vê-lo sexta-feira à noite e de repente ouvir qualquer coisa como «tenho teste daqui a uma semana e seguimos logo para Coimbra, mas até lá ainda falta muita coisa». Resposta: "Próximo fim-de-semana Coimbra quê?". Pronto, e vão-se passar mais duas semana. Depois na outra faço anos e ele tem um teste, nem sequer pode ir ver a minha peça nas Caldas da Rainha, no dia seguinte vou directamente para Alenquer para festejar com o meu pai e com a minha mãe, pelo que não só não o vou ver no dia dos meus anos como só o vejo no Domingo, o que já toda a gente sabe que faz à minha cabeça...

Epa... Às vezes faltam-me as forças e o fim-de-semana não chega para recuperar. Algo me diz que quando chegar Fevereiro tudo vai ser melhor. Eu só espero que sim porque já está difícil. Demasiado trabalho, demasiado cansaço, demasiada pressão.

Quanto a hoje? Hoje ele teve Festival e eu não fui porque eram os anos da minha irmã. Ainda bem que eram, acho que ele está habituado a que eu faça tudo por ele, acho bom mesmo que ele sinta a minha falta. Quanto a agora? Agora, Sábado 3 da manhã, eu estou em casa da minha mãe a escrever no meu blog enquanto ele está nos copos com os amigos. Deprimente? Não, claro que não...


Cisne

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