A falar é que a gente se entende


- Eu preferia não ter ciúmes e que tu não tivesses ciúmes. Que não dessemos motivos um ao outro para isso.
- Eu preferia ter uma saca de dinheiro... O mundo não é perfeito.

Não éramos um casal muito normal. Nenhum tinha ciúmes de ninguém e falávamos de toda a gente, homens e mulheres, abertamente - quem era giro de cara, quem era boazona de corpo... Depois veio a distância. E mais amor, creio. Mais preocupação, mais importância. Mais relevância nas pequenas coisas.

Ele primeiro. Sentiu ciúmes do francês que mora comigo. Eu fiz para que acontecesse mesmo sem intenção. Falei dele como nenhuma namorada faria mas, no final de contas, falei como sempre falo: honestamente e com toda a brusquidão que me é característica. E que é giro, e simpático e cavalheiro e que fez isto e aquilo e ai que até levou o saco do lixo, uuuh fala francês e tem charme, tens concorrência...

Segui-me eu. Uma rapariga que ele adicionou no facebook. Com o passar dos meses, um esgotamento, preguiça e gulodice, a minha forma física mudou e não estou nem perto do que era. Assim, quando vejo uma rapariga super gira (cara, corpo, tudo) que ele conheceu num festival (quando me disse não ter conhecido ninguém em especial), caiu o carmo e a trindidade cá em casa. Mas ao contrário dele não fiz qualquer reparo. Fui dormir e no dia seguinte acordei a pensar o lógico: que são ciúmes estúpidos e que disse confiar nele, teria mesmo de confiar.

Felizmente, dois dias depois conversei com ele sobre isto. Disse-lhe que tinha sentido ciúmes sem lhe pedir qualquer explicação e, muito honestamente, sem querer nenhuma (bom, pelo menos não foi para ter uma que iniciei a conversa). Falei nisso para desabafar, porque também é bom que ele saiba que eu não sou perfeita. Ele explicou-me como a conheceu contando-me uma história engraçada. Mas a dúvida ficou:

Porque é que estamos a ter ciúmes quando nunca tivemos? (e acreditem, já houve situações para isso das duas partes)

- Achas que eu devia ir a Portugal?
- Lá estás tu... Claro que eu quero que venhas mas nunca te ia pedir para gastares esse dinheiro, até me ofende que faças essa pergunta.
- Não... Não estou a perguntar se queres que eu vá. Estou a perguntar se achas necessário. Nunca fomos assim, estamos a passar uma fase estranha. Raramente falamos, quando falamos ficamos em silêncio, agora deu-nos para ter ciúmes... Estou a perguntar-te se não ir é ditar um prazo de validade à nossa relação.
- Aí está diferença entre nós os dois: eu não acho que tenhamos um prazo de validade.
- Não foi isso que eu disse, calma. Eu também não acho que temos. Eu acho que neste momento a relação está frágil. Só estou a tentar perguntar-te se ir aí, nem que seja para estar contigo um par de horas, nos vai deixar mais seguros. Se estamos a precisar de nos vermos a ponto de a relação não aguentar mais 3 meses...
(muito tempo de perguntas e respostas e pensamento e preocupações e tal e tal e tal..)
- Eu acho que tu terias ciúmes da rapariga estando em Lisboa e eu teria ciúmes do Francês em Lisboa também. É uma fase, não tem nada a ver com a distância.
- Ok...
(...)
- Eu preferia não ter ciúmes e que tu não tivesses ciúmes. Que não dessemos motivos um ao outro para isso.
- Eu preferia ter uma saca de dinheiro... O mundo não é perfeito. E não damos. Ter ciúmes é uma coisa normal. Cabe-nos a nós saber controlá-los...
 - =)

Sempre nos entendemos a falar, não sei lidar com ele de outra forma, foi assim na primeira noite em que estivemos juntos. Uma coisa falhou, eu disse-lhe, resolvemos. E é assim desde então.

Cisne.


P.S. Erasmus faz duvidar de tudo. Mete tudo em prespectiva. A solidão e o silêncio têm muitas perguntas para fazer e as pessoas fraquejam com o cansaço. Não sou excepção e muitos momentos frágeis estão para vir. Peço sensatez, paciência e resilência. Não sei a quem...mas peço, porque sei como sei que dois mais dois são quatro, sei que quero esta relação, que o quero a ele.

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