Desculpem, mas gosto da minha maneira de gostar...


Queria dizer-te boa noite, queria dizer-te o quanto gosto de ti, queria dizer-te o quanto sinto a tua falta. Queria escrever-te um texto longo e bonito com muita mariquice e alguma agressividade só para não me sentir demasiado cheesy. Queria receber um destes de vez em quando também.

Mas não. Tenho esperar. Tenho de ficar calada porque senão sou a needy, a que precisa de muita atenção, a controladora, a stressada, a ciumenta... Não percebo porque é que tem de ser assim. Eu sinto estas coisas e queria poder dizê-las quando quero. Mas não posso. Poderia se fizesses o mesmo. Mas não fazes. Porque és gajo ou porque não estás em erasmus, não sei. Não sei porquê.

Espera tem sido a palavra de ordem, não podia ser mais frustrante. Como sempre, é à noite que tudo se torna mais sombrio, que as saudades atacam mais. Durante o dia faço a coisa que mais amo, tenho sol e uma cidade aos meus pés, estou tão cansada que é impossível pensar em mais o que quer que seja.

Queria poder dizer-te que me sinto mal aqui, que todas as noites são assim. Mas já chega dessas conversas ou das conversas de discussão. Só quero ficar bem mas não estou, não fico de maneira nenhuma. O desespero da espera toma conta de mim. Habituei-me à rotina sem ti mas não me consigo habituar às saudades, tenho um nó na garganta a escrever.

As pessoas repentem-me interruptamente que não posso ser assim, que te sufoco. Mas da minha cabeça não sai que não sou eu que estou errada. Que é só uma maneira diferente de gostar. E que não quer dizer que não gosto de mim e que não aproveito o tempo que estou sozinha (é tudo o que eu tenho feito aqui, é estar sozinha). Não sou eu. És tu. És tu porque me fazes sentir abandonada. Não sozinha.

Há dias, há noites, em que quero tanto estar aí. Em que fantasio mil cenários. Dormir pacificamente na minha cama, dormir pacificamente na tua, conduzir o meu carro, ir à hamburgueria do bairro, sentir o cheiro da minha vila ou da casa da minha mãe, não, da roupa da minha mãe...fantasio o dia da minha chegada, fantasio sobre como o tempo vai passar sem que eu me dê conta, como vou poder passar o dia a abraçar as pessoas e meter a conversa em dia, fantasio sobre não conseguir dormir ansiosa à noite só de pensar que no dia a seguinte vou acordar cedo para te acordar a ti. Fantasio sobre como vais acordar, o que vais dizer. Quanto chego a este ponto páro de fantasiar. Porque sei que qualquer cenário que eu faça vais sempre destruir quaisquer expectativas que eu tenha. Contigo é sempre assim: quanto mais espero menos tenho. Então só fantasio até onde eu controlo. Imagino perfeitamente o teu quarto na maior bagunça total (juro-te que nunca vi nada assim), eu a tentar meter os pés no chão com cuidado para não pisar algo que faça barulho, imagino o sol a entrar pela janela e, às vezes, imagino que acordas com o sino da igreja à porta de tua casa que dá as meias horas (sim, achas que eu me esquecia da noite em que ficámos acordados das 2 às 6 da manhã à espera do raio das meias horas para eu gravar no trabalho de música e as cabras não tocavam???!!).

Queria dizer-te isto, porque não posso? Porque sou a única que sonha? Porque sou a única a achar que é bom sonhar, que é bom falar sobre isso? Que elimina a saudade má, aquela que estou a sentir, que me corroi e deixa a chorar até adormecer, e mete a boa, a que me faz sorrir até adormecer pacificamente? 

Essa saudade que me fazes ter às vezes que me lembra que sou sortuda...para onde foi? É tão rara já. Toda a gente diz que a culpa é minha... Desculpa... Mas eu acho que a culpa é tua. Tens uma maneira esquisita de gostar. Eu gosto da minha maneira de gostar... Faz-me sentir entusiasmada! Sabes esse sentimento? De rir com vontade, de frenesim no corpo, de um pouco de descontrolo, de felicidade espontânea e rápida? Sabes? Sabes o que é? Sabes sentir isso? É que às vezes acho que não... Às vezes penso em ti como uma emoção constante, um barco num rio calmo, com sol e luar, num tempo tranquilo, exacto, normal. Não há nada de mal nisso... mas eu gosto de nadar na agitação das ondas.


Cisne

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