Só Deus sabe?

Lembro-me de te pedir um dia, num desses primeiros dias em que o tempo passava rápido e tudo estava bem, que me levasses à praia. Odiei dize-lo mal me saiu. "Leva-me à praia". Senti que te estava a dar muito poder, quando não deveria demonstrar a ninguém que preciso de quem me leve, que preciso de me sentir aconchegada, guiada.

Hoje queria dizer-to de novo. Sem medos e com ênfase. Para que entendesses que preciso disso, não é a fingir. E porque nunca abusaste do poder que te dei. Nunca me magoaste de propósito, nunca me fizeste sentir menos do que eu sou e tão pouco me fizeste sentir que tinha de tomar conta de ti.

Ontem recordei todas as coisas más a teu respeito. Explodi tudo, falei tudo, a pobre da M. ouviu que se fartou de todos os teus defeitos e das coisas que nem sequer eram defeitos mas que eu não gostava. Hoje não me lembro de nenhuma.

Hoje lembro-me do teu cheiro e do teu toque. Do teu olhar terno, de um sorriso que me agarrava e do teu silêncio valioso. A tua calma, a tua voz doce e o som quente da tua guitarra. Lembro-me do que não me lembrei ontem: de como era bom quando estávamos juntos.

Hoje lembro-me que já não estamos. E que já não mantenho a esperança de um dia estarmos. Dei cabo dela ontem. Espero que desistas de mim e não me procures - vou fazer o mesmo. Mas se me procurares não vou poder mentir-te e também não vou saber como dizer-te a verdade. E aí... só Deus sabe?


Cisne

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