Vida!

O meu camarim - TMV

O caos.

Tenho a vida no avesso. Nem parece bem a minha. Bem, na verdade não é, a minha vida (ou seja, a minha rotina) mudou completamente desde que voltei de erasmus, portanto até aqui é uma constante adaptação a uma série de bençãos que tenho recebido na minha vida.

Ainda hoje recusei trabalho e não foi nem há uma semana que tive de recusar outro por falta de disponibilidade no horário... Se quando tinha dezasseis anos sonhei em viver em Lisboa e fazer da dança carreira nunca sonhei tão alto, não podia imaginar algo assim tão bom já aos vinte anos. Tenho muita sorte.

Também me tenho sentido melhor. Às vezes lá tenho as minhas crises mas nada que não me deixe sair de casa nem que um comprimidinho no bucho não solucione (nem que seja psicologicamente, que é muito provavelmente o caso).

O P. e eu... Parecemos dois tolos apaixonados. Enamorados um do outro...deve ser da idade...finalmente!! Temos tido azar. Os meus horários andam loucos com ensaios marcados e desmarcados à toa no teatro e com os ajustes que consequentemente tenho de ir fazendo às aulas que dou na academia. Isso mais os horários dele que também são o diabo a sete...jesus.

Para piorar um bocadinho toda a situação pois que ontem surge minha excelentíssima prima a dar a primorosa novidade: vem voltar a viver connosco. Desatei a chorar. Obviamente que o choro foi fruto do cansaço e da tpm que me deixa as hormonas variadas mas lá que vi a minha vida a andar para trás vi. Voltar a partilhar quarto? Quê? Por causa de uma prima que não vai pagar a casa onde vivo para dar uma aula por dia? Quê? Que eu saio de casa ela está lá que eu entro em casa ela está lá? Quê? Tirar tudo de novo do armário minúsculo que já mal dá para uma pessoa? Quê? O único ponto positivo que vejo é mesmo o facto de ela me ajudar a manter a casa limpa e arrumada de maneira a que não me apeteça (como é agora o caso) sair a correr de casa mal meto um pé nela. Mas não compensa o ter de partilhar quarto e deixar de ter qualquer tempo sozinho no meu canto. Sempre acompanhada... Para uma pessoa que passou toda uma adolescência isolada, é dose habituar-me a tanta companhia. Lá nos arranjamos como é óbvio, mas com esta história mais a história da limpeza cada vez mais me apetece sair de casa. Deixar de viver com a minha irmã (com que é impossível discordar mais em tudo e que funciona de maneira completamente diferente de mim) e arranjar um quarto sozinha em qq casa ou um quarto numa casa com amigos. Ou conhecidos. Às vezes quanto menos confiança melhor - mais respeito. Mas tanto me faz. O que mais confusão me faz neste momento é não gostar de chegar a casa depois de um dia cansativo ou não pagar a minha casa porque é cara demais. Não faz sentido...deveria estar a pagar uma casa que posso pagar. E se em algum mês tiver dificuldade aí sim, peço ajuda ao meu pai. Mas assim não faz sentido nenhum mesmo.

O trabalho no teatro... Surpreendentemente divertido. Os meus pares de dança são espectaculares, super divertidos e cuidadosos. Só as meninas é que são menos recomendáveis sempre com mexericos e mal-dizeres, não tenho paciência para esses disparates, não vejo como é que falar mal de alguém, com razão ou sem me pode deixar mais feliz. O que tenho para dizer digo sempre na frente, o que não quer ouvir afasto-me. Se calhar é por isso que as raparigas não gostam de mim e não se dão comigo, porque eu não tenho paciência para as ouvir. Só dizem m***@...não admira. Se falassem com interesse... enfim.

Um dos meus pares é o I. O I. é uma daquelas pessoas relâmpagos na minha vida. Raramente o vejo mas quando o vejo é sempre especial. Tivemos um início de uma história há um ou dois anos mas não deu em nada, felizmente. Ele apesar de muito boa pessoa é labrego até dizer chega e muito inconveniente por vezes. Tem um coração de ouro mas de facto não tem nada a ver comigo... Mas é muito curioso. Danço com ele como não danço com ninguém. Acho que é o meu par perfeito, daqueles que há poucos, daqueles em que há uma química que não se explica. É muito difícil de explicar inclusive. É que na altura em que nos conhecemos eu confundi isso com paixão porque na verdade é parecido mas sem o sentimento. É uma questão física de atração de corpos que encaixam, neste caso a dançar. E como dançamos bem...nem consigo explicar, é química. Mas juro, mal a música se vai e nos afastamos... nada de nada. Sinto um carinho enorme, gosto imenso dele e da pessoa que é, é um bom amigo e preocupa-se, mas nem ponta de atração assim a olhar para ele. É mesmo estranho super difícil de explicar.

O A. é o máximo, nunca me ri tanto, tem um excelente sentido de humor. É ucraniano portanto o seu sotaque também torna tudo mais cómico e agradável de ouvir. Outra excelente pessoa e muito boa pessoa. Doutra geração, é claro, mas ainda assim... O M., o meu outro par, é uma BICHA como eu nunca vi. Assumidíssima e com um corpo dos diabos sempre a exibir-se, também é muito engraçado num sentido completamente diferente da coisa!! ahahaha. Mas são todos uns queridos, gosto muito de trabalhar com todos.

O coreógrafo...um cromo digno de caderneta... Só vos digo isto para perceberem a cena do bicho: é bailarino da Ana Malhoa. Já perceberam não já? Brinquinho, boné virado ao contrário, óculos de sol, calcinha de ganga justa e t-shirt colada ao corpo. Agora espera: É heterossexual!! Pá, pelo menos é casado e tem uma filha... sabe Deus como..enfim :p

Jesus! 1:34h! Tardíssimo mas ainda bem que escrevi tudo isto já tinha vontade de um destes textos grandes... Limpa-me a alma e o espírito fica mais leve. É claro que a roupa fica por apanhar e a loiça por arrumar mas pronto... é a vida.


Jinhos à prima,
Cisne

P.S. Obrigada Universo/Deus/qualquer outra entidade superior à minha que controla esta coisa toda por tudo. Sou tão feliz e e sinto que encontrei equilíbrio na minha vida, uma maneira mais saudável de viver o presente e de olhar para o futuro. Obrigada por meteres O C., o V., o P. e o L. no meu caminho. Uns mais fora e outros mais dentro da minha vida, todos os dias continuam a mudar a minha vida para melhor, a ajudar-me nesta caminhada. É tão bom ser amada e ter amigos. O que perdi tantos anos com a sensação de que não pertencia a lado nenhum... Se ao menos tivesse aceite essa diferença em vez de a demarcar com distância... não faz mal. Agora já posso ser eu e ser eu com outras pessoas. Gosto de mim, gosto daquilo em que me tornei. Obrigada. Estou outra vez apaixonada pela vida, tanto quanto a minha saúde mental me deixa. Há dias difíceis. Mas não vou pensar nisso agora... Obrigada.

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