19 de abril de 2009

Cinco pérolas em teu rosto - Soneto


Os dias são meses quando te vejo,
Cinco minutos o segundo sem ar.
Cinco milésimas segundo o beijo,
Até que o sorriso cheguei a encontrar.

Mas porquê nem pouco sono almejo?
Porque continuo a escrivinhar?
Não é, eu sei, fingidor flamejo.
É-me querido continuar a lutar.


Com as cinco pérolas em teu rosto,
De olhos e de fronte chego a esquecer,
Pois a pérola branca está a meu gosto.


Na tua cova fui encontrar recosto.
Eternidades levei p'ra aprender,

Sempre as cinco pérolas em teu rosto.

04 de Março de 2009
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17 de abril de 2009

Grupo III - A futilidade aceitável



É frequente, hoje em dia, depararmo-nos com um adolescente com um telemóvel de terceira geração na mão e, se assim não o é, estará um mais modesto e envergonhado, guardado no fundo da mala ou mochila ( raro será o jovem que não o terá de todo).

É quase natural, é uma necessidade, tornou-se um vício. Mas porquê? Não era através de cartas que dantes se comunicava à distância? E não era essa uma maneira mais emocionante, repleta de ansiedade e excitação, de esperar uma resposta?

Uma mãe, um pai... preocupados. Porquê? Não será essa uma forma aceitável e bonita de mostrar futilidade? Não será o passaporte para a necessidade constante da utilização do telemóvel?

É dispendioso e, por isso, fútil. E futil é da nossa parte, se evocarmos o contrário.

Toco agora num assunto mais delicado: formação. Estes jovens e adolecentes encontram-se em costante ambiente formativo. Leccionam-se os mais variados valores, as mais correctas atitudes - aspectos de que, aliás, nunca discordei... Mas será de boa formação, em tão novo corpo e espírito, permitir tal subtil vício?




(Num teste de Português, nova inspiração)
28 de Novembro
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Grupo III - O Sonho





Teria sido bastante improvável que palavras me magoassem, não fosse eu tão insensível. A verdade é que nunca estamos realmente preparados para desistir de um sonho, independentemente das vezes que no-lo recusem.

Num edifício antigo, nos arredores de Lisboa, a minha tranquilidade era pura e a minha segurança nata. Aqui, estava a preparar-me para, pela quarta vez consecutiva (a minha persistência era alimentada pela força da minha familia e um próprio sonho fútil), prestar provas ao Conservatório Nacional de Dança.

Esta seria a última vez que voltava àquele espaço que me "cuspia" para a rua, mas que eu tendia a encarar como um embalo. Portanto, o que eu sentia eram as paredes a apertar-me. O chão e o tecto uniam-se cada vez mais, a cada passo que eu dava em direcção àquela sala. Mas a pressão não me reprimia, dava-me força. Eu já sentira aquilo antes; não era nada que eu não conseguisse suportar; eu estava forte.

"Os números seguintes podem sair: (...)", assim o senhor com uma expressão firme o disse.

Foram sete pedras atiradas ao rosto, sete pedras atiradas às pernas. Estas não respondiam - quase como se quisessem ficar lá a provarem o que verdadeiramente valem. Já o rosto estava insensível; já não havia nada a fazer.

Eu saí sem dizer palavra e enquanto me vestia, esbocei involuntariamente um sorriso nervoso. Desci as escadas e já estava às gargalhadas. Meti um pé do lado de fora e tudo se transformou em água. O sorriso, o edifício altivo, a minha mãe e a minha irmã, as pedras da calçada que ia pisando pesarosamente... O Sonho.


(Num teste diagonóstico de português, eis que me visita a inspirãção. Bem-vinda! =)
Setembro 2008
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"Acho que isto não vai resultar"

Este é o pensamento que me ocorre todos os dias, acerca do mesmo assunto, por variadas razões. Ou é pela minha irmã, ou pelo meu pai, ou...