Não é inveja... É medo.

Tenho saudades dos dias em que, finamente, me adaptei às aulas do ateneu. Eu era a maior da minha aldeia, tanto para mim, como para o Vítor. Mas deixem-me dizer-vos que é horrível ser "substituída". Eu sei que, um dia estarmos no topo e outro dia estamos abaixo da base, é uma constante no mundo da dança (e principalmente no ballet). Mas ainda assim...custa. Passarmos de cavalo para burro, sabendo que nada fizemos para tal acontecer, é péssimo. Estamos completamente dependentes do talento da outra pessoa.

Digo isto porque há uma míuda na minha turma que agora é a "menina dos olhos do meu prof. de dança". E o pior é que está aos olhos de todos. E mesmo que não estivesse, ele faz questão de nos dizer. "A S não faz os jetês nada mal", "Qualquer prof. chamava-lhe um figo se visse aquele corpo para trabalhar".

Não é inveja. É medo de passar para 2º plano... Mas custa ver que o nosso trabalho está a ser completamente desvalorizado, só porque aparece uma menina com um corpo fantástico: magra, um cou-de-pied fenomenalmente natural, umas costas fantásticas, uma abertura fantástica. O que me consola é que ela, realmente, não desperdiça o que tem e consegue acompanhar-nos. Talvez ela tenha "O dom". E se assim for, fico muito feliz por ela. Mas é que não parece mesmo! Ela não tem aquela paixão, sabem? Não sente aquele frenesim, aquele bichinho...

 Mas pronto, seria bom que o meu professor se preocupasse um bocadinho mais em melhorar as restantes... Isto é, não nos tornar invisíveis. É que passar uma aula inteira a ouvi-lo corrigi-la às vezes cai mal.

Mas bom, vou para ali deprimir-me a agarrar-me com força à minha nota de Intermédio (que foi a melhor)

Cisne.

Comentários

Sofia* disse…
Eu sei o que isso é... Por isso vou tentar dar-te um conselho...
Tenta ter calma, dá sempre o teu melhor, cada vez mais, quando estiveres quase a desistir pensa nos bons momentos e no que podes fazer pra melhorar! Acima de tudo, pensa no quanto gostas do ballet, porque no final, claro que é bom o nosso esforço ser recompensado mas o mais importante é dançarmos por NÓS, enchermos a alma de tudo, pois dançar é tudo, conseguir voar e por uns instantes atingir a felicidade eterna...


Beijos e boa sorte!
Cisne disse…
Sofia*, obrigada pelo conselho; vou tentar lembrar-me dele nas minhas aulas. Quando danço, danço para mim, mas quero dançar melhor e melhor e sinto que me estão a travar neste aspecto... Mas melhores dias virão!


Cisne.

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