O problema da geração dos 90...


Há vários. A geração dos 90 credo! Não me orgulho nada de ser de 93 mas pronto, adiante. Um dos problemas é o grande boom de separações e divórcios que houve nesta altura.

A Trocatintas do Rir e comer Bolachas escreveu isto sobre pais separados/divorciados e eu não pude deixar de pensar um pouco sobre o assunto.

Pelo menos no meu caso, e muito bem educadinha pela minha mãe, não fiquei um mostrinho ou infeliz. Aliás, acredito que seria muito mais infeliz se os meus pais ainda estivessem juntos - ora aí está uma coisa que eu nunca consegui imaginar a resultar... Sou uma pessoa como as outras. Mas com uma diferença. Com a diferença de que não percebo muito bem qual é o limite de sacrifício, qual é a linha que separa o «vamos continuar a tentar fazer esta relação resultar» e o «já não dá mais». Sou diferente da maioria não porque tenho os pais separados mas porque toda a minha vida vi pessoas a desistirem de quem gostam ou pessoas a deixarem de gostar. E não os vi a lidar com isso. Não os vi a lidar com isso porque era muito nova, quando já tinha idade para perceber o que se passava à minha volta já os meus pais, tios, pais de amigos estavam separados há 5 anos ou mais e já não havia nada para perceber - era a realidade que eu conhecia.

Eu não conheço o processo. O processo a que se chegou à separação, não entendo qual é o limite.

Há um ano atrás terminei uma relação de três anos. Uma relação maravilhosa, uma relação única, a que acredito poucos têm direito. Fui muito feliz. E depois perdi a noção. A noção dos limites, a noção da linha que separa duas pessoas diferentes, com ideologias, diferentes, atitudes diferentes; a noção de quando estava na altura de fazer mais um sacríficio e lutar por uma coisa que sempre funcionou ou desistir porque já não está a funcionar. Esta relação acabou por ciúmes. Daí que não me arrependa de a ter terminado, foi uma decisão ponderada e o desgaste era muito, para não falar de que era muito nova, não tinha idade para já estar a passar por uma relação tão problemática.


Isto para dizer que apesar de na altura ter reconhecido o meu limite (e cuidado que demorou 6 meses até apanhar uma bela piela que me fizesse aperceber de que não queria a vida que tinha), tenho a perfeita noção de que não o conheço agora. Tenho um medo terrível a casamento/união de facto, especialmente se envolver filhos. Eu adorava ter filhos mas só de pensar que um dia eles podem ter de passar por uma situação de pais separados e toda a m***@ que isso envolve (e eu bem sei), não quero ter nenhum. Porque viver sem amor é impossível, viver sem filhos não é, viver sem a responsabilidade absurda que é criar um filho, não é. E deixa mossa. Mais mossa nos pais que são uns atrofiados para a vida inteira do que nos filhos, que se habituam a uma realidade que sempre conheceram. Disto podem ter a certeza. Eu vi, eu estava lá.


Cisne.

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