Do Natal


Acho que sempre gostei do Natal. Na altura em que os meus pais se separaram passei a gostar menos um bocadinho (mais por toda a burocracia de «quem fica com quem em que dia» do que por não os ter juntos, na verdade). Ainda hoje é assim: não é exactamente como eu gostaria que fosse mas é muito bom e muito melhor do que o de muitas famílias, tenho a certeza.

Desde há uns anos para cá que mantemos uma tradição. O amigo secreto! Veio por más razões (incapacidade financeira para dar prendas a toda a gente) mas acabou por ser o que nos une e dá graça ao nosso Natal. Como funciona? Muito simples:


  1. A minha tia começa por fazer uns envelopes que contêm o nome de cada um dos membros da família (excepto os mais novos que irão receber as prendas normalmente)
  2. Sela-os muito bem para que ninguém, nem ela, depois de misturados, possa ver os nomes.
  3. Aguarda-se ansiosamente a data do aniversário da minha irmã ou do meu, em que juntamos a família toda e assim podemos tirar o envelope do nosso amigo secreto.
  4. Depois é toda uma jorrada de perguntas que só comprovam como somos todos sempre crianças "então, gostaste?" "É fácil ou difícil??"
  5. Definimos um tecto para não termos valores muito diferentes entre prendas e vamos à procura da prenda perfeita!
  6. Chegada à ceia de Natal, os miúdos abrem as prendas primeiro e depois seguem-se os adultos: cada um vai dar pistas sobre quem é o seu AS e quando alguém adivinhar ele vai buscar a sua prenda e sempre assim sucessivamente.

A parte das pistas é definitivamente a mais gira porque é giro ver o que nos sai na altura para descrever a pessoa e como se nota nessa altura como alguns são tão semelhantes, que nem conseguimos decifrar de qual das primas ele está a falar! E pronto, é este o meu pequeno mágico Natal.

Tudo o resto no Natal me passa um pouco ao lado. O que eu gosto mesmo é disto, da lareira acessa e toda a gente junta. 

Cisne

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