Obrigada por quereres


Ele disse «amo-te». Eu disse-lhe que não diria de volta. Porque não é de volta, nada veio. Diz que me ama e não sabe o significa para mim só o facto de o querer. Mas não me ama. Não ainda. E apercebo-me agora que ele deve ser imaturo pois não o sabe. Talvez nunca tenha amado. Ou talvez nunca tenha sido magoado. Diz «amo-te» quando se sente feliz, quando se sente bem abraçado a mim. Mas amor não é só isso. Ou não é isso de todo. Bem... Na verdade, amor não é igual para toda a gente.

Para mim é ter a certeza que a minha vida nunca mais vai ser a mesma se aquela pessoa se for embora; é também não conseguir conceber mentalmente esse cenário mas ter sempre o medo e a consciência de que esse cenário se pode dar um dia. É felicidade também, claro. Não é só um coração completo, é um coração a transbordar, é um corpo cheio de tudo, que fala sem a boca. Amar também é conhecer. Conhecer bem, conhecer um olhar, um sorriso, cada canto, cada vontade, cada palavra que não é dita.

Ele não me conhece mas quer. Ele não me entende mas procura entender todos os dias. Ele não acerta todas as palavras mas pede desculpa quando as erra. Não...ele não me ama ainda. Mas quer tanto amar que já o diz. Isso para mim conta muito, sim.

Até lá, meu amor, até lá eu adoro-te. Muito. Não só. Muito. Porque adorar é apreciar, é admirar, é querer saber mais até amar. E amar será então aceitar. O mau e o bom, o óptimo e o péssimo, e não saber como viver sem tudo isso. Para mim. E para ti, se for outra coisa, quero estar aqui para saber.


Cisne.

P.S. Acho que não posso acabar este texto sem agradecer à pessoa que ensinou a amar, que me disse «amo-te», sabendo muito bem o que significava e que esperou até que eu soubesse também. Que se deu ao risco que é amar com a nossa idade tão jovem, numa idade em que amar é efémero, embora pareça (porque sempre parece) ser para sempre... Obrigada.

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