Just want it to stop


Não pedi para o conhecer, não pedi para me apaixonar, não pedi por nada que me prendesse. Mas pedi para não sair magoada, pedi para que me acabasse o azar, pedi para parar de conhecer idiotas, pedi outra sorte, pedi por alguém que não brincasse comigo, por alguém parecido comigo e diferente ao mesmo tempo. No final, pedi tudo o que tenho e agora vejo que fui tão estúpida em pedir. Porque me apeguei. Apeguei-me a ele. Caraças, nem sei como aconteceu. Estava a viver a minha vida e quando dei por isso ele passou a ser importante. E está do outro lado do rio...

Esta noite estou triste. Porque é Domingo e tive de me despedir. Porque é Domingo e ele não está de novo. Porque me sinto sozinha e estou sempre acompanhada. Porque tenho várias coisas para fazer e não consigo resolver prioridades simples. Porque estou em fase de negação como se manter-me acordada fosse impedir que a segunda-feira chegue. Não, na verdade só vai fazer com que fique mais cansada. Tudo isto deixa-me apenas mais cansada. Mas eu estou sempre cansada.

Eu estou sempre cansada. Quer durma, quer não durma, quer sonhe, quer não sonhe... É tudo um desespero, é tudo um descontrolo sobre a minha própria vida, próprias decisões, próprias ações. Cada vez tenho mais dificuldade em pensar, em decidir, principalmente. Dias como este deixam-me de rastos. Dias Domingo.

Pedi-lhe para nunca nos vermos ao Domingo à noite, só tornava tudo mais difícil. Temo-lo cumprido e confirma-se isso mesmo. Mas hoje era a nossa única hipótese de nos vermos esta semana. Eu só sei que ele fica sempre bem e eu fico sempre assim. E acho mesmo que não tem nada a ver do quanto se gosta. Eu estou só tão frágil, tão sensível, sinto-me tão fraca... E não lhe posso dizer nada disto. Posso. Eu posso... Mas não quero. Não quero que ele saiba, só quero ficar bem para nunca ter de lhe contar. Não quero ter de lhe contar que todos os meus Domingos são um inferno, que não consigo aguentar a pressão e as responsabilidades, que não tenho vontade de sair de casa, que fico paralisada em frente à porta da minha casa às vezes. Não sei como dizer as palavras «não consigo». E definitivamente não sei como sair deste buraco negro, desta espiral que não tem fim. Estou farta de chorar, de o esconder e de me sentir assim. Estou farta de não me conseguir ajudar a mim mesma. Estou farta de querer Fevereiro e de não o querer ao mesmo tempo. Estou farta de querer estar sozinha e acompanhada. Estou farta de não ser eu. E tenho muito medo de não voltar a ser eu.

Também tenho medo de não conseguir sair de casa amanhã. Tenho medo de não conseguir apresentar o trabalho de Composição amanhã. Tenho medo de não conseguir dar bem as minhas aulas. Tenho medo que percebam que não estou bem. Tenho medo de não ser boa o suficiente. Tenho medo de desistir. Tenho medo que todos estes medos se apoderem de mim e me condicionem de vez. Tenho medo de deixar de ter soluções, de deixar de conseguir passar por cima destas crises de choro. Tenho medo de não aguentar estes meses que faltam até ir para Erasmus.

Não consigo sair daqui. Não consigo tomar nenhuma decisão, é um desespero. Não consigo decidir o que fazer primeiro, o bloqueio é tão grande para coisas tão simples mas eu simplesmente não consigo. Tudo me pára. Penso em ir dormir para conseguir acalmar-me mas penso que não o posso fazer pois amanhã tenho de estar pronta. É tudo um grande desespero mais do que consigo aguentar. Às vezes sinto-me a enlouquecer...


Cisne

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